quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Mas quantas vezes!

«Aqueles que passam por nós, não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós.»

Antoine de Saint-Exupéry


E sim, o facebook tornar-se-á mais uma das redes sociais que ao ser tomado pelas crianças, nos vai acabar por cansar. Deixaremos portanto, mais dia, menos dia, mais uma das nossas pegadas abandonada. By the way, antes de isso acontecer, numa das suas fantásticas aplicações viciadas, depois de ler coisas que incitaram uma vontade desmedida de cortar os pulsos e mais além, eis que “calhou” à minha pessoa a supra-transcrita frase.

Pessoas sem conta irão passar por nós e, das duas, três: ou não nos levarão nada, ou deixar-nos-ão sem nada. (A terceira é deixarem-nos muito (não nosso), assim só para infernizar um bocadinho mais o nosso próprio amalgamado mundo). Óbvio. Calhou depois em conversa, e o que numa instância inicial seria mais uma frase coberta de forças menos positivas que facilmente transportaria qualquer alguém para uma das vezes sem conta em que a almofada seria o amparo esperado, até acabou por deixar uma réstia de confiança. Não é ambicionar que comportem o que provámos, mas sim que seja estimada, uma pequena parte do que durante muito tempo nos fez arder. E uma pequena parte vai chegar, porque uma pequena vez será suficiente para que sejam compreendidas grande parte das vezes. Essas tantas, sem conta.


- V: E aqueles que passam por nós, deixam muito deles e levam grande parte de nós?

- D: A esses, descansa, alguém há-de passar por eles, deixar-lhes MUITO e levar-lhes TUDO!

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Mais Uma Vez

“Tudo vale a pena quando a alma não é pequena.”, já dizia Fernando Pessoa. Adaptada frequentemente (que é como quem diz vezes sem conta) por todos para “Vale s-e-m-p-re a pena quando a alma não é pequena.”, continuará ainda assim verdadeiramente com sentido? A esta inofensiva troca popular das sábias palavras do supra-citado senhor resultarão inúmeras adaptações a inúmeras situações. Fará sentido que se insista em repetir determinadas vezes que, ou culminaram num tufão de emoções que assolou tudo por onde passou, ou que nem sequer tenham trazido uma lufada de ar fresco que tenha valido o esforço? Valerá sempre a pena? Valerá vezes sem conta a pena pela mesma coisa?

Logicamente pensando, depois de fazermos uma encomenda, não voltamos a fazê-la. Esperamos que chegue. Porquê? Porque não vale a pena fazer outra vez uma vez (na normalidade da prestação de serviços) que já está feita. Não querendo dizer com isto que o certo será ficarmos sentadinhos no banco de jardim todos os finais de tarde à espera que de uma rajada nos cheguem os nossos sonhos, não será tão pouco insistindo que eles se tornarão na nossa realidade pretendida. Assim, talvez pense que não vale sempre a pena mas que, de facto, t-u-d-o vale a pena. Porque tudo não é a mesma coisa que sempre. Tudo, sendo a totalidade das coisas existentes, não significará a durabilidade eterna. Porque tudo é quantidade e sempre é tempo. E o tempo arde. A prova é que todos temos uma vida que se apressa a furtar-nos todos os segundos que nos fazem sorrir e tarda em deixar perdurar todos os minutos que nos fazem chorar. Atendamos então ao que grandes nomes nos quiseram deixar de tempos mais inflexíveis porque, neste caso, quando a alma não é pequena, tudo vale mesmo a pena! Valerá mais uma vez a pena?